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Lojas Marabraz, um dos grandes nomes do varejo, solicita recuperação judicial com dívidas de R$ 140 milhões, enquanto busca preservar até 135 lojas em funcionamento no Brasil

Marilia DiarioMarilia Diarioagosto 17, 2026 922 Minutes read0

A renomada Lojas Marabraz, uma marca emblemática no segmento de móveis e eletrodomésticos em São Paulo, apresentou um pedido de recuperação judicial com urgência na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da cidade. A companhia enfrenta um passivo que gira em torno de R$ 140 milhões e busca o apoio da Justiça para reestruturar suas dívidas, visando a continuidade de suas operações comerciais.

A crise financeira enfrentada pela empresa é fruto de uma combinação adversa que afeta o varejo: elevação nas taxas de juros, diminuição do consumo das famílias, aumento da inadimplência, além de conflitos societários e familiares significativos. A confluência desses aspectos limitou a capacidade do grupo em captar recursos e renovar suas linhas de crédito no setor financeiro.

Como a crise se instaurou nas Lojas Marabraz

Para compreender a situação crítica da varejista, é essencial examinar sua estrutura de capital. Tradicionalmente, a família fundadora buscava financiamento no mercado para sustentar as operações da rede, um modelo que requer considerável capital circulante. Essas movimentações eram garantidas, em grande parte, por ativos imobiliários pertencentes aos membros da família.

 

 

A queda nas compras presenciais aliada aos juros altos pressiona o setor, que registrou 194 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. Foto: Marabraz/Divulgação/ND Mais

No entanto, os conflitos internos resultaram em um bloqueio direto na administração dos bens imobiliários do grupo:

 

  • Perda do controle patrimonial: Diante das disputas familiares, os gestores perderam o comando sobre as sociedades que detêm os imóveis.
  • Bloqueio de garantias: Sem os ativos imobiliários para servir como garantias, a Marabraz não conseguiu atender às exigências das instituições financeiras.
  • Asfixia de crédito: A ausência dessas garantias comprometeu a renovação das linhas de crédito existentes e dificultou a contratação de novas operações financeiras.

A empresa também enfrenta as mudanças no varejo físico impulsionadas pela digitalização do comércio e pelas novas preferências dos consumidores.

 

Cenário crítico para o varejo em 2026

Lojas Marabraz, que já chegou a ter 135 lojas na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior paulista, reflete um quadro desafiador para os empresários brasileiros. O ambiente econômico atual continua caracterizado por um acesso restrito ao crédito e altos custos financeiros.

 

Lojas Marabraz operou com 135 unidades entre Grande São Paulo, litoral e interior paulista. Foto: Marabraz/Divulgação/ND Mais

Análise do mercado como um todo

Crescimento nos pedidos de recuperação: Dados da Serasa Experian indicam que o Brasil contabilizou 194 solicitações desse tipo apenas no primeiro trimestre de 2026.

 

Grandes marcas sob pressão: Várias empresas renomadas estão buscando processos para reestruturar suas dívidas. Um exemplo é a Raízen, que optou pela recuperação extrajudicial, enquanto Casas Bahia avalia novas alternativas para ajustar seu passivo.

A solicitação urgente das Lojas Marabraz tem como objetivo suspender a cobrança das execuções judiciais relacionadas às dívidas, permitindo à administração desenvolver um plano viável para reestruturação, assegurando a continuidade das atividades da empresa e preservando os postos de trabalho gerados pela rede.

 

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