A equipe de Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia, localizada em Marília, realizou a remoção de um tumor em um paciente de 51 anos que permaneceu acordado durante todo o procedimento, tocando violão enquanto a cirurgia acontecia.
O principal intuito dessa intervenção foi melhorar a saúde e a qualidade de vida do paciente, que apresentava um tumor com comportamento agressivo.
Realizar a cirurgia com o paciente consciente possibilita à equipe médica mapear diversas áreas do cérebro e suas funções ao longo do procedimento.
Para isso, a equipe de anestesia despertou o paciente, permitindo que os profissionais de fonoaudiologia monitorassem as funções da fala durante a cirurgia.
Ele também teve a oportunidade de tocar e cantar mais uma vez durante a operação, contribuindo para uma avaliação mais precisa. Isso ajudou na confirmação de que o paciente estava consciente e que suas funções motoras e de fala se mantinham intactas.
Cuidado muito além da retirada
Funcionário de uma empresa na região de Marília, o paciente tem como hobby tocar e cantar, o que conferiu um significado especial à sua história antes e após a cirurgia.
Antes do início do procedimento, ele expressou seus sentimentos através da música, prestando homenagem aos profissionais presentes ao tocar e cantar “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana.
Conforme explica o neurocirurgião Ruy Okaji, a cirurgia envolve desafios que vão além da simples remoção do tumor.
“Nosso objetivo não é apenas eliminar a lesão; buscamos preservar ao máximo as funções neurológicas do paciente. Esse trabalho exige planejamento detalhado, precisão e colaboração integrada de toda a equipe”, destacou Okaji.
O desejo do paciente em cantar para os médicos realçou a importância desse cuidado. “Foi um momento emocionante. Isso demonstrou quão vital é manter suas funções, especialmente a fala, para garantir sua qualidade de vida”, afirmou o neurocirurgião.
Após a cirurgia, o paciente recordou momentos do procedimento e mostrou-se disposto a tocar novamente.
“Foi muito gratificante perceber que ele estava acordado, comunicativo e com fala e movimentos preservados logo após despertar. O fato de ele se lembrar da música e voltar a cantá-la foi extremamente significativo para toda nossa equipe”, comentou Okaji.
Com as funções cerebrais preservadas, o paciente está seguindo seu processo de recuperação. A expectativa é que ele retome gradualmente suas atividades normais e em breve possa tocar violão e cantar ao lado de amigos e familiares.

