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Coluna Márcia Bortolanza
Coluna Márcia Bortolanza

Para Márcia Bortolanza, palavras têm poder de construir ou marcar profundamente

RedacaoRedacaoabril 13, 2026 2082 Minutes read0

Artigo destaca a responsabilidade emocional na comunicação e o papel da fala nos vínculos humanos

Coluna por Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

A fala é muito mais do que um instrumento de comunicação. Ela é extensão do que sentimos, do que pensamos e, muitas vezes, do que ainda nem conseguimos compreender completamente dentro de nós. Cada palavra carrega uma energia, uma intenção e, sobretudo, uma carga afetiva capaz de construir ou ferir.

Não falamos apenas com a boca, falamos com a nossa história. As experiências vividas, as dores, os afetos, as crenças e até os silêncios moldam o tom, a escolha das palavras e a forma como nos expressamos. Por isso, duas pessoas podem dizer a mesma frase, mas transmitir sentimentos completamente diferentes.

A carga afetiva da fala está justamente nesse invisível que acompanha o que é dito. É o que transforma um simples “estou aqui” em acolhimento verdadeiro ou em ausência disfarçada. É o que faz uma palavra de incentivo impulsionar alguém ou, ao contrário, uma crítica desmedida marcar profundamente uma vida.

No campo das relações, a fala tem um papel estruturante. Ela aproxima, fortalece vínculos, cria pontes. Mas também pode afastar, gerar ruídos e abrir distâncias difíceis de reparar. Muitas feridas emocionais não nascem de grandes acontecimentos, mas de palavras repetidas, ditas sem cuidado, carregadas de julgamento ou indiferença.

Por outro lado, a palavra também é uma das maiores ferramentas de cura. Quando usada com consciência, empatia e verdade, ela acolhe, orienta, encoraja e transforma. Uma fala afetuosa pode reorganizar sentimentos, trazer clareza em momentos de confusão e devolver a alguém a sensação de valor e pertencimento.

É importante compreender que não existe neutralidade na fala. Mesmo o silêncio comunica. Mesmo a ausência de palavras tem significado afetivo. Por isso, desenvolver consciência sobre como falamos é também um exercício de responsabilidade emocional.

Falar bem não é falar bonito, é falar com intenção. É alinhar palavra e sentimento. É escolher construir, e não ferir. É compreender que aquilo que dizemos não termina em quem fala, mas continua ecoando em quem escuta.

Talvez o grande convite seja este: antes de falar, sentir. Antes de responder, perceber. E, acima de tudo, lembrar que cada palavra tem o poder de deixar marcas — algumas passageiras, outras permanentes.

Que nossas palavras sejam mais pontes do que muros. Mais abrigo do que distância. Porque, no fim, aquilo que dizemos revela não apenas o que pensamos, mas quem somos.

“Palavras não são apenas ditas, elas são sentidas, guardadas e, muitas vezes, jamais esquecidas.”

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ComportamentoComunicaçãolinguagemMárcia BortolanzaMarcia Bortolanza escritoraMarcia Bortolanza psicólogapsicologiapsicologia Marcia Bortolanzarelações humanas
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