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Pai de Vorcaro é apontado pela PF como chefe de ‘milícia do banqueiro

Marilia DiarioMarilia Diariomaio 15, 2026 1914 Minutes read0

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, que foi proprietário do extinto Banco Master, teve um papel fundamental na administração do grupo conhecido como A Turma, que foi identificado pela Polícia Federal (PF) como uma milícia pessoal do ex-banqueiro.

Na quinta-feira (14), Henrique foi detido durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. Esta operação investiga fraudes financeiras de grande escala associadas ao Banco Master e à atuação de Daniel Vorcaro com autoridades públicas.

A investigação dessa etapa tem como foco principal os grupos chamados A Turma e Os Meninos. Um relatório enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) indica que esses grupos eram compostos por indivíduos que realizavam atividades de vigilância e intimidação contra os opositores de Henrique e Daniel Vorcaro.

O ministro do STF André Mendonça, que autorizou a prisão, descreveu: “Em resumo, nesta fase ficou claro que HENRIQUE MOURA VORCARO não apenas se beneficiava dos serviços ilegais da Turma, mas também os requisitava, fornecia apoio financeiro e mantinha contato com seus integrantes mesmo após o início das investigações, evidenciando um vínculo funcional significativo e essencial para a continuidade do grupo criminoso”.

A PF descobriu a existência dessa milícia pessoal através de mensagens obtidas do celular de Henrique Vorcaro. As evidências sobre as operações ilegais do grupo aumentaram conforme as investigações progrediram, incluindo diálogos coletados do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Vazamento de investigações 

Os dados revelam que Marilson tinha a função de implementar ações intimidatórias contra os adversários de Vorcaro, além de obter informações confidenciais sobre investigações em andamento direcionadas a Henrique e Daniel Vorcaro, mediante pagamentos feitos a uma delegada e a um agente da própria PF.

Trabalhando na superintendência da PF no Rio de Janeiro, o policial Anderson da Silva Lima era contatado não só para consultas simples, mas também para sondar investigações policiais sigilosas relacionadas ao núcleo VORCARO, utilizando sua rede de confiança dentro da corporação, conforme relatou a PF.

A pedido da PF, o ministro Mendonça decidiu transferir Marilson Roseno da Silva para o Sistema Penitenciário Federal devido à sua influência sobre A Turma. Anderson da Silva Lima também foi preso preventivamente nesta quinta-feira.

O ministro destacou: “Marilson ocupa uma posição de liderança no núcleo ‘A Turma’, em uma hierarquia elevada. Sua custódia em um estabelecimento com maior controle é imprescindível para evitar que ele continue a influenciar a organização criminosa ou atrapalhar o curso das investigações”.

Ainda segundo a PF, Felipe Mourão, conhecido pelo apelido Sicário, é outra figura importante dentro dos grupos criminosos. Ele já havia sido preso em etapas anteriores da Operação Compliance Zero e cometeu suicídio na cela em que estava detido na superintendência da PF em Belo Horizonte.

Jogo do bicho e ameaças

Nesta quinta-feira também foi detido Manoel Mendes Rodrigues, suspeito de liderar uma ramificação da Turma no Rio de Janeiro. A PF apurou que ele teria participado diretamente de ameaças de morte contra um comandante de iate e um chefe de cozinha em Angra dos Reis (RJ).

Segundo relatos das vítimas das ameaças, Manoel afirmou ser “amigo de Vorcaro” e disse estar envolvido com o jogo do bicho ao realizar as intimidações pessoalmente.

Fuga com computadores 

Em um relatório preliminar, a PF identificou David Henrique Alves como outro indivíduo relevante na organização criminosa. Ele seria responsável por contratar hackers para realizar monitoramentos ilegais e ataques cibernéticos.

Alves havia sido preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero quando tentava fugir em um carro pertencente a Felipe Mourão. No veículo foram encontrados cinco computadores e objetos pessoais; há suspeitas de que esses equipamentos seriam destruídos.

Além dele, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier foram detidos sob acusação de serem hackers envolvidos nas atividades cibernéticas ilícitas.

Prisões 

No total, sete pessoas foram presas nesta quinta-feira (14). Os detidos são:

  • Anderson da Silva Lima
  • David Henrique Alves
  • Henrique Moura Vorcaro
  • Manoel Mendes Rodrigues
  • Victor Lima Sedlmaier
  • Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos
  • Sebastião Monteiro Júnior
Defesa

A defesa de Henrique Vorcaro divulgou uma nota classificando sua prisão como “grave e desnecessária”, argumentando que ocorreu antes mesmo do pai de Daniel ser ouvido nas investigações.

“É evidente que essa decisão se baseia em fatos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não estão comprovadas no processo. E isso se deve ao fato de não terem sido solicitados à defesa nem a ele”, afirmaram os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta.

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