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Saúde
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SUS expande cobertura vacinal para combater a pneumonia pneumocócica

Marilia DiarioMarilia Diariomaio 29, 2026 1874 Minutes read0

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) começará a disponibilizar uma nova vacina mais eficaz contra a doença pneumocócica, substituindo a atual 10-valente pela 20-valente (VPC20). Essa mudança foi anunciada em um guia técnico preliminar publicado nesta quarta-feira (27) pelo Ministério da Saúde, e visa aumentar a proteção contra os sorotipos da bactéria.

Com essa atualização, os municípios poderão iniciar a imunização assim que receberem as novas doses, conforme as diretrizes estabelecidas no documento técnico do ministério.

O que é a doença pneumocócica?

A doença pneumocócica é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, popularmente conhecida como pneumococo. Ela pode causar desde sintomas leves, como inflamação de ouvido e sinusite, até condições graves, incluindo pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

Estudos indicam que o pneumococo é responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade em torno de 30%. Além das crianças pequenas, os idosos e pessoas com doenças pré-existentes ou imunossupressão estão entre os grupos mais suscetíveis à infecção.

Aumento de casos e a necessidade da nova vacina

A vacina 10-valente (VPC10) foi incorporada ao calendário vacinal infantil em 2010. Desde então, houve uma redução significativa nos casos de doença meningocócica relacionados aos dez sorotipos incluídos na vacina, com uma diminuição de 60% entre crianças com até dois anos. Casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária caíram em 65% nesse período.

No entanto, a incidência de casos tem aumentado recentemente. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média anual de 164 casos de meningite pneumocócica em crianças menores de cinco anos. Esse número aumentou para uma média anual de 211,3 casos entre 2022 e 2024.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, destacou que esse aumento reflete uma mudança epidemiológica resultante da eficácia das vacinas. Ela explica que essa situação se denomina “replacement”, onde a diminuição da circulação de um tipo específico do pneumococo permite que outros tipos prevaleçam.

Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que cerca de 40% dos casos graves com amostras coletadas entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não cobertos pela VPC10, mas que estão na formulação da VPC20. Além disso, aproximadamente 11% dos casos de meningite meningocócica em crianças menores de um ano são causados por outros tipos também incluídos na nova vacina. A expectativa é que a introdução da VPC20 contribua para reduzir novamente a incidência dessa doença.

Como a VPC20 atua e quem deve ser vacinado

A VPC20 e outras vacinas pneumocócicas conjugadas atuam impedindo que o pneumococo colonize a nasofaringe das pessoas vacinadas. Essa ação não apenas protege o indivíduo vacinado contra a doença, mas também limita a transmissão do patógeno para aqueles que não receberam o imunizante.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já oferece vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, como a VPC13 e a VPP23. No entanto, essas vacinas são destinadas apenas para grupos específicos com condições médicas que aumentam o risco das formas severas da doença. Após esgotar os estoques dessas vacinas, elas também serão substituídas pela VPC20.

A vacinação é especialmente recomendada para os seguintes grupos considerados vulneráveis:

  • Pessoas vivendo com HIV/Aids
  • Pacientes oncológicos
  • Transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea
  • Pessoas imunodeficientes
  • Pessoas com doenças renais crônicas, pulmonares, cardíacas ou hepáticas
  • Pessoas com asma grave
  • Pessoas diabéticas
  • Pessoas com síndrome de Down
  • Bebês prematuros

Esquema vacinal e transição

No calendário vacinal básico, recomenda-se que bebês recebam duas doses da vacina pneumocócica aos dois e quatro meses de idade, seguidas por uma dose reforço aos doze meses. Crianças menores de cinco anos que não forem vacinadas no tempo adequado devem atualizar sua carteira de vacinação o quanto antes.

No processo de transição entre as vacinas VPC10 e VPC20, será administrada a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço; já na segunda dose será aplicada a vacina 10-valente. Para aquelas crianças que já receberam a primeira dose da VPC10, receberão a VPC20 na segunda dose e no reforço subsequente. Além disso, será aplicada uma dose adicional da VPC20 em crianças menores de cinco anos que somente completaram o esquema básico com duas doses da VPC10.

A vacina é contraindicação apenas para indivíduos com alergia severa algum componente presente na fórmula ou aqueles que tiveram reações alérgicas graves após doses anteriores. Recomenda-se também que pessoas com febre aguardem melhorar antes da vacinação.

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