Um novo estudo divulgado no Marine Pollution Bulletin, realizado por pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Ipen, revelou a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) em águas profundas da Bacia de Santos. A coleta das amostras ocorreu entre setembro e novembro de 2019, a uma distância de 140 quilômetros da costa.
Microplásticos encontrados em invertebrados e suas possíveis origens industriais
Dentre as nove espécies de invertebrados examinadas, o pepino-do-mar Deima validum foi o que mais apresentou microplásticos em seu sistema digestivo. Os polímeros identificados incluem poliamida e poliacrilonitrila, ambos oriundos da indústria têxtil.
A pesquisa sugere que a contaminação com polímeros como poliariletercetona, poliestireno e polissulfeto pode estar relacionada às operações da indústria offshore na Bacia de Santos, onde atualmente cinco plataformas estão em funcionamento e outras seis estão previstas até 2027.
Para garantir a confiabilidade dos resultados obtidos, os cientistas adotaram um protocolo rigoroso para evitar qualquer contaminação das amostras por microplásticos presentes no ambiente. Utilizaram vestimentas e ferramentas de análise sem fibras sintéticas, além de realizar um controle rigoroso sobre microplásticos nas superfícies e no ar durante o trabalho.
Desafios e relevância das investigações em águas profundas
Os pesquisadores salientam que este estudo representa apenas um levantamento inicial, sendo necessário realizar investigações futuras para aprofundar as descobertas. Em uma pesquisa anterior, Stefanelli-Silva, Paulo Sumida e outros colaboradores analisaram espécimes coletados na Antártica entre 1984 e 2016, que estavam armazenados na Coleção Biológica Prof. Edmundo F. Nonato do IO-USP.
Nessa pesquisa anterior, foi registrado o mais antigo indício de microplásticos na Antártica: uma fibra com pouco mais de 2 milímetros encontrada nas vísceras de um pequeno crustáceo coletado em 1986.
Paulo Sumida, que coordena o Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo (LAMP) do IO-USP, destacou a importância do monitoramento das condições do mar profundo. Ele enfatizou que, apesar dos altos custos e da complexidade do acesso a essas áreas, é essencial compreender o impacto das atividades humanas nesse ecossistema vulnerável.
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