Uma intervenção da Polícia Militar (PM) em um caso de violência doméstica acabou por revelar um grande esquema ilegal de armazenamento e distribuição de anabolizantes e medicamentos não regulamentados em Marília. A situação se desenrolou na noite de quinta-feira (24), aproximadamente às 19h45, em uma residência localizada no distrito de Padre Nóbrega.
A chamada foi feita por uma mulher de 33 anos, que relatou aos policiais ter sido agredida e ameaçada pelo namorado, um vendedor de 30 anos, com quem estava envolvida há cerca de 45 dias. Ela explicou que o relacionamento havia se deteriorado, resultando em desavenças frequentes nas quais o parceiro a ameaçava.
Durante a abordagem, os agentes encontraram a mãe do suspeito, de 57 anos, que estava na casa com a intenção de remover caixas de produtos após a briga entre o casal.
Enquanto prestavam assistência à vítima, os policiais foram informados sobre um cômodo da residência que era utilizado exclusivamente para armazenar uma grande quantidade de medicamentos ilegais comercializados pelo agressor. Segundo a mulher, as substâncias estavam inicialmente guardadas na casa do homem, mas ele teria forçado a parceira a escondê-las na chácara.
Após novas agressões, tanto verbais quanto físicas, o agressor declarou que já não confiava mais nela e exigiu que ela escondesse o material. Em estado emocional fragilizado, a mulher tomou remédios e adormeceu. Ao acordar, encontrou sua sogra mexendo nos produtos e decidiu chamar a polícia.
Embora o homem já tivesse deixado o local, ele foi encontrado pelos policiais em sua residência e levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para prestar esclarecimentos.
A perícia e a equipe da Polícia Civil descobriram um verdadeiro arsenal farmacêutico clandestino: foram apreendidos 8,41 quilos de comprimidos, mais de 1.600 ampolas injetáveis de anabolizantes, várias cartelas de Pramil, diversas caixas de Diazepam (5 mg e 10 mg), frascos de medicamentos veterinários, além de Rybelsus e Sibutramina, além das substâncias Dianabol e Oxandrolona.
Os agentes também confiscam equipamentos como uma balança digital precisa, um caderno contendo registros das transações do esquema ilícito, um notebook, quatro celulares e uma carta manuscrita pela vítima detalhando as violências sofridas.
Diante dos fatos apresentados, a Polícia Civil determinou a prisão em flagrante do suspeito e sua mãe pelo crime contra a saúde pública relacionado à comercialização e armazenamento de medicamentos adulterados ou sem procedência conhecida. O homem enfrenta ainda acusações adicionais por lesão corporal e ameaça sob as diretrizes da Lei Maria da Penha.
Considerando a gravidade das ações e as penas equiparadas ao tráfico de drogas conforme jurisprudência vigente, não foi concedida fiança pela Polícia Civil; assim mãe e filho permanecem detidos.


