O etanol hidratado está passando por sua nona redução sequencial no preço médio nacional, um reflexo da colheita da cana-de-açúcar e do aumento na disponibilidade do biocombustível. Esta diminuição já pode ser percebida nas bombas de Marília, onde a queda nos preços tem alterado o comportamento dos motoristas e estimulado as vendas.
Entre os dias 24 e 30 de maio de 2026, o custo médio do etanol no Brasil caiu para R$ 4,22 por litro, com diminuições observadas em 20 estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, que é o maior produtor do país, essa queda foi ainda mais significativa.
Os primeiros meses da safra 2026/27 foram caracterizados por uma produção direcionada mais ao etanol do que ao açúcar na região Centro-Sul, conforme informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Essa estratégia das usinas ajudou a provocar uma redução de aproximadamente 14% nos preços em maio, levando os valores aos menores patamares reais desde junho de 2024.
A realidade dos preços em queda já é notada pelos consumidores em Marília. O empresário Avelino Boiça, dono de postos de combustíveis na cidade, elucida os motivos que têm contribuído para a diminuição nos preços.
“A queda no preço do etanol se deve à safra. Ela costuma iniciar em março ou abril e se estender até dezembro. Nesse período, há uma grande oferta de produto, especialmente na nossa região”, afirma.
Boiça também menciona que a chegada do etanol produzido a partir do milho em Mato Grosso tem ampliado a oferta e pressionado os preços para baixo.
“Com a expectativa de uma supersafra de etanol neste ano, os preços estão caindo. À medida que novos estoques chegam, vamos repassando essa redução”, explica Boiça.
A diferença no valor pago pelos consumidores tem sido expressiva nos últimos meses. Ele comenta que entre o final de janeiro e o começo de fevereiro, o etanol chegou a custar cerca de R$ 4,59 por litro.
“Atualmente, o etanol está com um preço médio variando entre R$ 3,40 e R$ 3,50”, compara.
A redução nos preços reacendeu o interesse dos proprietários de veículos flex pelo biocombustível. A lógica do mercado sugere que o etanol se torna mais vantajoso quando seu preço é até 70% do valor da gasolina.
No momento atual, essa relação está bem abaixo desse índice. “Para ilustrar, nos meus postos hoje o etanol representa apenas 54% do preço da gasolina. Se falam que é até 70%, então compensa bastante”, ressalta Boiça.
A alteração nos preços já impactou diretamente as vendas. “As transações de etanol aumentaram consideravelmente enquanto as de gasolina diminuíram bastante também. Isso é visível nas bombas”, afirma.
Enquanto isso, embora o etanol esteja passando por uma fase de forte redução nos preços, a gasolina comum apresentou um padrão mais estável. Durante esse mesmo período, o preço médio nacional manteve-se em R$ 6,62 por litro.
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