A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu ampliar as restrições relacionadas à venda de passagens aéreas da Flybondi no Brasil. A partir de 11 de agosto, a comercialização de novos bilhetes para a rota entre Buenos Aires e Rio de Janeiro/Galeão também será suspensa.
Essa ação é uma continuidade da determinação anterior da Anac, datada de 28 de julho, quando a agência já havia interrompido a venda de passagens para destinos brasileiros como Florianópolis (SC), Maceió (AL) e Salvador (BA), além de barrar qualquer expansão na malha aérea da empresa.
Na ocasião, a Flybondi teve a permissão temporária para manter as vendas para a rota Buenos Aires–Rio, desde que apresentasse evidências suficientes sobre sua capacidade operacional para garantir a prestação contínua e regular dos serviços. Após analisar as informações enviadas pela companhia, a Anac concedeu um prazo extra até 10 de agosto para que fossem apresentados dados que comprovassem a superação das questões levantadas.
Com o término do prazo estabelecido, as informações fornecidas pela empresa não foram adequadas para demonstrar que os riscos tinham sido superados.
A resposta da Flybondi consistiu majoritariamente em promessas e previsões sobre uma regularização futura, sem fornecer elementos concretos que comprovassem a implementação das medidas necessárias.
Monitoramento das operações
O monitoramento realizado pela Anac indicou uma queda acentuada nas operações da Flybondi ao longo de 2026, com o número de voos realizados despencando de 576 em janeiro para apenas 50 em junho.
Até o dia 10 de agosto, a empresa planejava realizar quatro voos durante o mês, mas acabou não cumprindo essa meta. As duas aeronaves utilizadas nas operações para o Brasil não registraram atividade desde 6 de agosto.
Adicionalmente, a Anac constatou um agravamento nos indicadores relacionados ao atendimento ao cliente. Nos dois últimos períodos avaliados de 30 dias, o total de reclamações contra a Flybondi na plataforma Anac Passageiro subiu de 214 para 350, representando um aumento significativo de 63,6%. Mais de 90% dos passageiros relataram dificuldades ao tentar contato com a empresa após procurá-la previamente.
O percentual de reclamações relativas a reembolsos também aumentou, passando de 26,6% para 42,7%. Apesar das recentes melhorias nos indicadores de solução e satisfação do cliente, os resultados ainda são bastante inferiores aos observados entre outras companhias aéreas participantes da plataforma.
Bilhetes
A nova decisão não impacta as passagens que já foram emitidas. A Flybondi continuará responsável por operar os voos previamente vendidos, desde que estejam presentes as condições necessárias para sua realização e pelo cumprimento das obrigações estabelecidas na regulamentação para com os passageiros afetados.
No caso do cancelamento de um voo após sua venda, é obrigatório informar os passageiros com pelo menos 72 horas de antecedência. Nesses casos, a companhia deve oferecer opções como reembolso integral ou remanejamento em outro voo da própria empresa.
Caso ocorra falha na comunicação prévia ao passageiro dentro do prazo estipulado, a empresa deverá ainda proporcionar alternativas como reacomodação em outro voo disponível (mesmo que operado por outra companhia), além do suporte material necessário (incluindo comunicação, alimentação e hospedagem conforme o tempo aguardado pelo passageiro no aeroporto).
Os passageiros devem inicialmente utilizar os canais oficiais da Flybondi para buscar soluções. Se o problema persistir, é possível registrar uma reclamação na plataforma Anac Passageiro. Com base no monitoramento das interações entre os clientes e a companhia aérea nesse ambiente digital, a Anac poderá implementar ações adicionais conforme necessário.
Possibilidade de revisão da medida
A Anac poderá reconsiderar as restrições impostas caso a Flybondi consiga demonstrar que adotou as providências necessárias e que possui capacidade para prestar seus serviços regularmente e superar os riscos anteriormente identificados.
A agência seguirá monitorando tanto as operações da companhia quanto seu atendimento aos passageiros. A medida tem caráter preventivo e visa minimizar os riscos enfrentados por novos consumidores.
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