A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está avaliando, ao longo desta semana, uma nova proposta de instrução normativa voltada para as canetas emagracedoras.
Essa iniciativa pode estabelecer novos protocolos e critérios técnicos para medicamentos classificados como agonistas do receptor GLP-1, que é o nome técnico desses produtos.
A proposta surge como resposta ao uso excessivo das canetas emagracedoras, que se tornaram populares e, em alguns casos, têm incentivado práticas ilegais como o contrabando. Esses medicamentos incluem diferentes princípios ativos, entre eles a semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Esse comportamento já motivou ações como a exigência de receita médica na hora da compra dos produtos.
A intenção da Anvisa é mitigar os riscos à saúde pública que podem advir de produtos e práticas irregulares, além de proteger o bem-estar da população brasileira.
A agência informou que “a Anvisa e os conselhos propondo uma colaboração mútua baseada na troca de informações, no alinhamento técnico e na realização de ações educativas”.
20 milhões de doses
Em conversa com a Agência Brasil, Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), mencionou a revolução desencadeada por esses medicamentos. No entanto, ele expressou preocupação com o uso indiscriminado das substâncias.
“Esses são medicamentos altamente eficazes e potentes, que realmente ampliaram as possibilidades de tratamento, especialmente para aqueles que sofrem de obesidade. Eles representam um avanço significativo em comparação aos métodos anteriores, que eram menos eficazes e seguros”, destacou Dornelas.
O presidente da Sbem também chamou a atenção para um levantamento realizado pela Anvisa sobre a importação irregular desses produtos no país. Os dados revelam que apenas no segundo semestre de 2025 foram importados mais de cem quilos de insumos, suficientes para cerca de 20 milhões de doses.
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