Na última sexta-feira (29/3), especialistas do Instituto Butantan esclareceram que o odor característico da maria-fedida (Nezara viridula) desempenha um papel duplo: serve tanto para repelir predadores quanto para atrair parceiros durante a época de reprodução. Esse cheiro é emitido por glândulas localizadas nas regiões do abdômen e do tórax do inseto, revelando sua importância biológica.
A substância responsável pelo odor da Nezara viridula é composta por aldeídos insaturados, semelhantes aos encontrados no coentro. Além de seu aroma desagradável, essa secreção tem um sabor extremamente ruim, funcionado como uma defesa eficaz contra predadores como pássaros, rãs e lagartos. Ao mesmo tempo, a natureza do cheiro também contribui para o sucesso reprodutivo dessa espécie.
Dupla função do cheiro: defesa e atração
Embora a emissão do cheiro atue primariamente como mecanismo de defesa, ele também funciona como um feromônio que atrai parceiros reprodutivos. A reprodução da maria-fedida ocorre predominantemente na primavera e no verão, épocas em que as temperaturas elevadas favorecem a colocação de ovos em locais mais seguros. Com o avanço das áreas urbanas e desmatamento, esse inseto tem se adaptado a ambientes urbanos que oferecem condições estáveis de temperatura e umidade. Por isso, é comum encontrar os ovos em lugares inusitados dentro das casas, como toalhas penduradas no varal.
Esses percevejos da família Pentatomidae podem apresentar cores variadas como verde, marrom, manchado ou metálico. Com antenas segmentadas em cinco partes e corpo em formato de escudo, eles medem entre 1 e 2 cm. A maria-fedida pode ser encontrada globalmente, especialmente nas Américas e em regiões tropicais, habitando plantações e cada vez mais áreas urbanas.
Ciclo de vida e adaptação urbana
As asas parcialmente desenvolvidas da maria-fedida permitem que ela voe longas distâncias. Seu aparelho bucal picador ou sugador é característico dos hemípteros e possibilita a alimentação pela seiva das plantas, podendo transformá-la em uma praga potencial para as lavouras.
No inverno, a maria-fedida entra em um estado de diapausa semelhante à hibernação. Nesse período, seu metabolismo se torna mais lento e suas atividades reprodutivas são suspensas. Ao retomar suas funções reprodutivas, a fêmea exibe cuidado parental ao proteger os ovos até que eles eclodam. Essa proteção é vital para aumentar as chances de sobrevivência contra parasitas como vespas.
O ciclo das ninfas leva cerca de 20 dias até a emergência dos novos indivíduos, passando por várias fases de troca da camada externa do corpo (ecdise). Após se tornarem adultas, elas têm uma expectativa de vida média de aproximadamente 100 dias. O som produzido durante o voo dessas criaturas pode ser confundido com o som dos besouros; esse ruído é uma forma involuntária de defesa ligada à forma do corpo e à estrutura das asas.
Inteligência e particularidades da espécie
A camuflagem representa outra estratégia defensiva utilizada pela maria-fedida; enquanto os indivíduos verdes se mesclam com a vegetação ao redor, os marrons se camuflam nos troncos das árvores. Cada tonalidade possui a capacidade de liberar um odor distinto, embora nenhum deles seja considerado agradável. Além disso, as investigações sobre a origem e função deste odor revelam ainda mais nuances nas estratégias de sobrevivência dessa espécie.
Para evitar que esses insetos liberem seu odor em ambientes fechados, o Instituto Butantan sugere capturá-los utilizando um copo plástico e uma folha antes de libertá-los na natureza. É importante ressaltar que a maria-fedida não representa risco à saúde humana.


