Na cidade de Ocauçu, uma família recorreu à Justiça em Marília para denunciar um suposto erro médico que resultou na morte de sua filha no Hospital de Base, localizado em São José do Rio Preto.
Os familiares buscam uma compensação financeira tanto do hospital quanto de duas médicas que teriam sido responsáveis pelo atendimento da criança. O Giro Marília entrou em contato com o Hospital de Base e aguarda uma resposta oficial.
A bebê E.C.S.M. faleceu no dia 22 de outubro, após desenvolver uma infecção generalizada enquanto tratava uma condição cardíaca, aos cinco meses de vida. A menina apresentou insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos.
Os pais da criança, um motorista de carreta e uma cuidadora de idosos, alegam que a infecção foi causada pela demora da equipe médica em substituir um cateter utilizado na paciente.
Segundo eles, tentaram confrontar as médicas sobre a situação, mas não obtiveram respostas satisfatórias. Além disso, relataram ter ouvido comentários nos corredores do hospital sobre a lentidão na troca do material necessário.
Os pais também expressam ter enfrentado dificuldades para obter informações sobre o estado da filha e, ainda mais preocupante, notaram sinais de óbito pela manhã, mas a menina permaneceu no leito ao longo do dia.
Wellington, o pai, contou que observou mudanças visíveis na aparência da filha antes de ela ser levada à noite. O atestado indica que o óbito ocorreu às 22h52. Taylla, a mãe, revelou que a perda impactou profundamente toda a família, incluindo seu filho mais velho, que tem sete anos.
“Estou tomando remédios para depressão e dois para dormir. O menino mudou muito; sente falta da irmã e ficou agressivo, descontando isso em si mesmo. Por isso decidimos levá-lo a uma psicóloga”, relatou Taylla.
‘Alerta para mudança’
Os advogados Fabrício Dalla Torre Garcia e Luana Dutra, que representam os pais da criança, afirmam que nenhuma quantia pode realmente compensar a dor enfrentada por eles.
“Essa tragédia envolve diversas situações impactantes, como o sofrimento dos pais ao assistirem à lenta deterioração da saúde da filha sem receber as informações ou cuidados adequados. Até chegarem ao ponto de ficarem ao lado dela inerte”, comentaram os advogados.
Além disso, enfatizaram que essa ação vai além da busca por indenização financeira: “Trata-se de um alerta sobre a necessidade de cuidado adequado e respeito no atendimento médico. O Hospital de Base é reconhecido historicamente por sua relevância, mas falhou nesse caso. Reconhecer seus erros pode ser um passo importante para promover mudanças.”
Diagnóstico, cirurgia e morte
No decorrer da gestação, um exame detectou uma malformação cardíaca na bebê; por conta disso, após o nascimento ela foi monitorada na UTI. Após receber alta, continuou sob cuidados domiciliares.
Entretanto, começaram a surgir complicações, como fadiga durante as mamadas e sudorese excessiva além da dificuldade em ganhar peso adequadamente.
A solução proposta pelos médicos foi a realização de uma cirurgia. A internação ocorreu no dia 13 de outubro do ano passado. Contudo, em poucos dias a condição de saúde da bebê piorou drasticamente até levar ao seu falecimento nove dias depois.
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