A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo está analisando um caso suspeito de infecção pelo vírus Ebola, que foi identificado neste sábado (30) na cidade de São Paulo.
A investigação está sendo conduzida pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP). O paciente, um homem de 37 anos originário da República Democrática do Congo, onde a doença é endêmica, apresentou sintomas como febre, o que o qualifica como um caso suspeito.
Atualmente, ele se encontra em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, que é a unidade estadual especializada no atendimento a casos suspeitos ou confirmados. Todos os procedimentos de biossegurança estão sendo rigorosamente seguidos. Até este momento, não foram obtidas confirmações laboratoriais da doença.
A investigação foi iniciada como uma medida preventiva após a identificação de sintomas clínicos e epidemiológicos que correspondem aos critérios para um caso suspeito, seguindo as diretrizes estabelecidas tanto em nível nacional quanto estadual.
Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da CCD da SES-SP, afirmou: “Estamos lidando com um caso suspeito que está em fase de investigação. Todas as medidas necessárias foram implementadas assim que os critérios clínicos e epidemiológicos foram identificados. Isso inclui o isolamento do paciente, notificação imediata às autoridades competentes, investigações laboratoriais e monitoramento conforme os protocolos atuais.”
Na última semana, houve uma atualização na Nota Informativa nº 01/2026 pela Coordenadoria de Controle de Doenças, em colaboração com o CVE-SP e o Instituto Adolfo Lutz (IAL). Esse documento fornece orientações à rede de saúde sobre o surto do vírus Ebola, cepa Bundibugyo, que ainda está ativo na República Democrática do Congo. As diretrizes enfatizam a vigilância aprimorada, definição dos casos, notificação imediata, manejo inicial e investigações laboratoriais no estado.
No estado paulista, é crucial que casos suspeitos sejam imediatamente comunicados à vigilância epidemiológica municipal e ao CVE. O Instituto Emílio Ribas já atuou anteriormente durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em 2014, quando atendeu três casos suspeitos que foram posteriormente descartados. A responsabilidade pela análise laboratorial e diagnóstico diferencial recai sobre o Instituto Adolfo Lutz.
A avaliação técnica da SES-SP indica que o risco de introdução do vírus no Brasil e na América do Sul permanece bastante baixo. Esse diagnóstico considera diversos fatores, incluindo a ausência histórica de transmissão local no continente sul-americano e a falta de voos diretos entre as áreas afetadas e a América do Sul. Além disso, a transmissão do vírus requer contato direto com fluidos corporais ou sangue de indivíduos sintomáticos infectados.
Ainda assim, recomenda-se que os serviços de saúde permaneçam atentos a pacientes com febre que tenham viajado nos últimos 21 dias para regiões onde há circulação do vírus. Casos envolvendo contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas também devem ser avaliados.
Sintomas e atendimento
A infecção pelo vírus Ebola pode se manifestar abruptamente com sintomas como febre alta, dores intensas na cabeça e músculos, fadiga extrema, náuseas e diarreia. Em situações mais severas, pode evoluir para hemorragias internas, choque e falência múltipla dos órgãos. O período de incubação varia entre dois a 21 dias.
A SES-SP ressalta que a transmissão do Ebola não ocorre antes do início dos sintomas. O maior risco está associado ao contato direto com fluidos corporais durante as fases mais avançadas da enfermidade. Indivíduos assintomáticos expostos ao risco devem ser monitorados diariamente por um período de 21 dias.
Até agora, não existem vacinas autorizadas ou tratamentos específicos aprovados para a cepa Bundibugyo. As vacinas disponíveis se destinam à cepa Zaire e sua eficácia para a variante atual ainda não foi comprovada.
Notificação de casos suspeitos
Caso haja suspeita da doença, é imprescindível informar imediatamente ao Centro de Vigilância Epidemiológica através do CIEVS. A versão completa da Nota Informativa pode ser acessada aqui.
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