Marília ainda não possui uma previsão para a reinstalação de sua Unidade de Terapia de Queimados (UTQ), um serviço vital para atender vítimas de queimaduras severas na localidade. A cobrança pela reabertura desse serviço se intensificou após a explosão ocorrida na terça-feira (26), em Paulópolis, distrito de Pompeia, onde 13 pessoas ficaram feridas e uma delas faleceu.
O Governo do Estado de São Paulo, sob a liderança de Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi contatado pelo Marília Notícia em busca de informações sobre qualquer planejamento para a criação ou reativação da UTQ na cidade. No entanto, não houve resposta aos questionamentos enviados à Secretaria Estadual da Saúde há mais de dois meses.
A secretária municipal da Saúde, Paloma Libânio, reconheceu a relevância da reabertura do serviço durante resposta a um requerimento do vereador João do Bar (PSD). Ela destacou que a instalação de estruturas de alta complexidade é dependente da colaboração entre diversos órgãos da rede pública de saúde.
“É importante esclarecer que a criação e organização de serviços especializados de alta complexidade não são responsabilidade exclusiva da Secretaria Municipal da Saúde. Isso requer uma atuação integrada e coordenação entre os responsáveis pela organização do sistema público de saúde, principalmente no que diz respeito ao planejamento assistencial e à definição dos fluxos de atendimento”, explicou Paloma.
A secretária também mencionou que já foram enviados ofícios à Santa Casa de Misericórdia de Marília e ao Departamento Regional de Saúde IX (DRS-IX), solicitando informações técnicas sobre a viabilidade da reabertura da unidade, além de dados sobre a estrutura assistencial e o planejamento regional em andamento.
Além disso, o DRS-IX foi formalmente solicitado a se manifestar devido à importância regional do serviço e à necessidade de fortalecimento da rede especializada para o atendimento às vítimas de queimaduras.
Dificuldade financeira
A UTQ operou por várias décadas na Santa Casa, mas teve suas atividades suspensas no dia 10 de maio de 2023. Em nova consulta sobre a possível retomada do serviço, o hospital esclareceu que essa interrupção foi causada por dificuldades financeiras relacionadas ao custeio e à manutenção necessária para o funcionamento adequado da unidade.
Em comunicado, a Santa Casa afirmou que qualquer retorno do serviço dependerá de uma análise técnica, operacional e financeira. O hospital ressaltou que é imprescindível contar com profissionais altamente qualificados, cuja disponibilidade é limitada no mercado, além dos materiais e insumos que possuem custos elevados.
A instituição ainda destacou que os valores recebidos atualmente pela tabela SUS Paulista são insuficientes para garantir a viabilidade do serviço.
“A Santa Casa de Marília se mantém disponível para dialogar e buscar alternativas junto aos órgãos competentes, sempre priorizando uma gestão responsável e a qualidade no atendimento à população”, afirmou o hospital.
Cenário crítico na neurocirurgia
A discussão sobre o financiamento estadual para serviços complexos na cidade ocorre em meio a outros desafios enfrentados pela rede hospitalar mariliense, responsável pelo atendimento em toda a região.
Na semana passada, uma reunião emergencial entre o prefeito Vinicius Camarinha (PSDB) e o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, resultou em um acordo para assegurar o funcionamento do setor de neurocirurgia da Santa Casa, que também estava ameaçado devido à falta de repasses financeiros necessários, conforme apontado pelo hospital.
O setor neurocirúrgico começou a atuar na Santa Casa em setembro de 2024 após ter sido descontinuado no Hospital das Clínicas de Marília, unidade sob gestão direta do Governo Estadual.
Atualmente, este setor ocupa exatamente o espaço onde operava anteriormente a Unidade de Terapia de Queimados.
A publicação “Governo Tarcísio ignora socorro e Marília segue sem previsão para UTQ” foi veiculada inicialmente pelo site Marília Notícia.


