O Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma conquista significativa para a população brasileira, mas também um dos maiores desafios enfrentados pelo governo. Assegurar o acesso universal e a integralidade da assistência à saúde não é uma tarefa simples. Embora a Constituição de 1988 mencione a criação de redes regionalizadas, a implementação do SUS focou na municipalização. Essa escolha trouxe avanços, especialmente na Atenção Primária, mas também resultou em fragmentação do sistema, gerando sobrecarga nos municípios, ineficiência nos gastos e descontentamento entre os cidadãos.
Um dos principais obstáculos a ser enfrentado é o financiamento do sistema. A Constituição estipula que o SUS deve ser financiado pela União, pelos Estados e pelos municípios. Apesar da Emenda Constitucional nº 29 ter estabelecido percentuais mínimos para investimento em saúde, os desafios continuam, evidenciados pela defasagem na tabela do SUS federal.
A disparidade se torna ainda mais clara nas áreas de média e alta complexidade. No Estado de São Paulo, por exemplo, há um déficit mensal de R$ 100 milhões apenas na rede estadual, totalizando mais de R$ 1,2 bilhão ao ano em procedimentos que não contam com o financiamento da União.
Dessa forma, forma-se uma situação crítica: um sistema fragmentado combinado com ineficiência nos gastos e subfinanciamento.
Para enfrentar essa realidade, a administração liderada por Tarcísio de Freitas tem adotado estratégias voltadas para a Regionalização da Saúde. O intuito é estabelecer Redes Regionais de Atenção à Saúde em colaboração com os municípios. Como parte desse esforço, foram criados mecanismos de financiamento como o Incentivo à Gestão Municipal e a inovadora Tabela SUS Paulista.
Além disso, este pacote inclui iniciativas como Saúde Digital, novos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), construção de hospitais e investimentos em um novo polo industrial de biotecnologia que possibilitou o desenvolvimento da Butantan-DV, a primeira vacina contra dengue em dose única no mundo. O AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil, teve atenção redobrada com a criação de uma linha de cuidado que conta com suporte da telessaúde.
No entanto, é fundamental contar com profissionais qualificados para que essa gestão seja efetiva. Por esse motivo, o Estado também está investindo na capacitação de especialistas.
Limitar-se à análise isolada das ações do governo estadual em apenas uma dessas frentes seria um erro básico para quem está começando no campo da saúde pública.
Nesse cenário surge a Tabela SUS Paulista como uma proposta audaciosa do Governo do Estado de São Paulo. Os resultados já obtidos fazem dela uma referência nacional no fortalecimento do SUS.
A Tabela SUS Paulista atua como um complemento na remuneração pelos serviços prestados e respeita as diretrizes da tabela federal. Dentre seus objetivos estão diminuir a defasagem nos procedimentos realizados, incentivar a produção assistencial e expandir o acesso aos serviços enquanto reduz filas de espera.
Um exemplo claro desse impacto é o aumento das cirurgias eletivas: saltaram de 751.267 entre 2015 e 2018 para uma média anual de 1.153.290 sob esta administração. Além disso, houve a reativação de oito mil leitos hospitalares. Entre 2022 e 2025, os procedimentos de alta complexidade cresceram 50%, registrando 1,1 milhão a mais em tomografias e 220 mil em ressonâncias magnéticas. Também houve um avanço superior a 25% nas áreas de quimioterapia e radioterapia, enquanto os serviços relacionados à nefrologia aumentaram quase meio milhão de atendimentos.
O Estado conseguiu avançar na descentralização e regionalização dos serviços, aproximando o atendimento da população. Em São Paulo, a taxa de mortalidade em cirurgias oncológicas é atualmente a menor desde o início da série histórica em 2008.
A Tabela SUS Paulista não é apenas uma ação isolada; ela representa uma resposta efetiva aos principais desafios da saúde pública: o subfinanciamento. Ao ampliar as ofertas disponíveis, corrigir distorções existentes e fortalecer a regionalização do sistema, São Paulo demonstra que defender o SUS requer coragem para implementar transformações necessárias.


