A Receita Federal, em colaboração com o Gaeco/SP e outras instituições, está conduzindo uma operação que investiga fraudes relacionadas ao comércio de combustíveis. A ação abrange mandados em vários estados, incluindo localidades do interior de São Paulo.
A investigação revela a atuação de seis fintechs que operavam como bancos não regulamentados, movimentando mais de R$ 26 bilhões ao longo de quatro anos. O esquema envolve a adulteração de combustíveis, utilizando nafta, além do emprego de fundos para disfarçar patrimônio.
Esta é a segunda fase da Operação Carbono Oculto, que se destaca como a maior ação contra o crime organizado no Brasil em termos de cooperação entre instituições.
Estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão, dirigidos a pessoas físicas e jurídicas em cinco estados. No estado de São Paulo, as ações abrangem diversas cidades, incluindo a capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim.
Além disso, as operações se estendem para o Paraná (Cascavel e Paranavaí), Mato Grosso do Sul (Iguatemi), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital).
Cerca de 135 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal participam da operação junto com servidores administrativos e profissionais das instituições parceiras.
Sobre essa utilização das fintechs
As seis fintechs investigadas somaram mais de R$ 26 bilhões em movimentações financeiras entre 2022 e 2025. Foram identificadas transações suspeitas, especialmente relacionadas a depósitos em dinheiro. Uma das fintechs registrou depósitos superiores a R$ 1 bilhão apenas em espécie durante o período analisado.
Dentre essas seis fintechs envolvidas na Operação Fluxo Oculto, três informaram à e-Financeira ter movimentado cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. As demais sofreram autuações pela Receita Federal.
Esquemas de adulteração de combustíveis
As investigações também aprofundaram-se nos esquemas relacionados à adulteração dos combustíveis.
Apenas um dos esquemas que utilizava nafta petroquímica resultou em prejuízos estimados em R$ 200 milhões aos cofres públicos devido à sonegação fiscal.
Esse esquema desviava nafta para terminais de armazenamento e realizava a adulteração do produto. O combustível modificado era então distribuído para postos revendedores ligados aos membros da organização criminosa.
Os recursos financeiros gerados por esse esquema eram direcionados para fundos de investimento com o intuito de ocultar os verdadeiros beneficiários da fraude.
A operação identificou quatro fundos que estariam envolvidos no esquema criminoso junto a duas administradoras de recursos e duas gestoras.
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