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Morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema nacional

Marilia DiarioMarilia Diariojulho 24, 2026 1413 Minutes read0

Luiz Carlos Barreto, conhecido carinhosamente como Barretão entre amigos, faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos. Sua morte representa uma grande perda para o cinema brasileiro, que se despede de uma de suas principais referências.

Atuando como produtor, diretor e fotógrafo, Barreto estava hospitalizado desde a última terça-feira. Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas e abrangeu mais de 80 produções, ele se consolidou como uma das personalidades mais impactantes da sétima arte nacional.

Natural de Sobral, no Ceará, onde nasceu em 1928, Barreto deixou sua terra natal em 1947, aos 19 anos, e se mudou para o Rio de Janeiro. No mesmo ano, conseguiu um emprego na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A partir de 1950, iniciou sua trajetória no jornalismo como repórter nos Diários Associados, colaborando com publicações como A cigarra e O cruzeiro.

Transição do Fotojornalismo para o Cinema

Em 1955, Barreto tornou-se ativo na luta contra a censura ao filme Rio, 40 graus, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Em 1961, ele cobriu as gravações de Barravento, de Glauber Rocha, na Bahia e fez sua estreia como corroteirista e coprodutor em Assalto ao trem pagador, dirigido por Roberto Farias.

No mês de maio de 1963, Barreto fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas e no mesmo ano assumiu a direção de fotografia do longa Vidas secas, também de Nelson Pereira dos Santos. Em 1967, foi responsável pela fotografia do clássico Terra em transe, dirigido por Glauber Rocha.

Fundamental para o Cinema Novo

Como produtor cinematográfico, Barreto foi uma figura central no movimento Cinema Novo. Entre seus trabalhos notáveis estão Garrincha — Alegria do povo (1963), A hora e vez de Augusto Matraga (1965), O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) e Brasil ano 2000 (1969). Ele colaborou com renomados cineastas como Joaquim Pedro de Andrade, Roberto Santos e Walter Lima Jr.

Em 1976, produziu a famosa adaptação cinematográfica Dona Flor e seus dois maridos, baseada na obra de Jorge Amado e dirigida por Bruno Barreto. O filme alcançou um público impressionante de quase 11 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros.

Outros sucessos que vieram em seguida incluem Bye bye Brasil (1980), O quatrilho (1995), O que é isso, companheiro? (1997), inspirado nas experiências narradas por Fernando Gabeira, além de Deus é brasileiro (2003) e Lula, o filho do Brasil (2009).

Vida Pessoal e Homenagens Recebidas

Barreto conheceu Lucy Barreto em 1952 no Rio de Janeiro e se casaram em Paris em 1954. Essa união perdurou por mais de sete décadas.

Sua família também teve participação significativa na indústria cinematográfica brasileira, com seu filho Bruno Barreto e suas filhas Paula e Fábio contribuindo para o meio.

Nos últimos anos da sua vida ativa, Barreto continuou a marcar presença pública. Em 2019 participou de uma audiência pública no STF e também foi lançado o documentário Barretão.

Durante as eleições de 2022, envolveu-se em discussões sobre a recriação do Ministério da Cultura e filmou Deus ainda é brasileiro. Ele foi homenageado na Alerj durante o Dia do Cinema Brasileiro em junho do mesmo ano.

Em março de 2024, recebeu outra homenagem pelo governo do Ceará. Durante uma visita ao estado, sofreu uma queda em Fortaleza aos 95 anos e necessitou passar por duas cirurgias. Também em 2024, o filme Bye bye Brasil foi exibido em uma sessão especial no Festival de Cannes.

O post Luiz Carlos Barreto, referência do cinema brasileiro, morre aos 98 anos apareceu primeiro em Giro Marília Notícias.

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